Num.Ref.
44588
Nº inventário
009.546
Coleção
Objeto
Bulé de chá
Descrição
Bule de chá de metal prateado, tendo bojo, bico e tampa com superfícies facetadas verticalmente em forma de pétalas. Tampa com pega hexagonal e pequeno furo próximo à dobradiça. Alça esférica frisada. Na parte interna, vários furos na junção do bico com o bojo. Base oval em faixas escalonadas.
Dimensões
16,0 cm x 22,0 cm
Marcas
Debaixo da base a inscrição "50 CL." e a marca composta por um urso de pé circundado pela inscrição "ART. KRUPP. BERNDORFER." dentro de um círculo.
Histórico 2
Durante a Segunda Guerra Mundial, pelo Decreto-Lei nº 4.166 de 11 de Março de 1942 foi estabelecido que os bens pertencentes aos imigrantes de origem alemã, italiana e japonesa residentes no país, chamados na época de Súditos do Eixo, seriam confiscados pelo então governo de Getúlio Vargas como garantia de indenização pelos prejuízos causados ao Estado e ao povo brasileiro pelos atos de agressão provocados por essas nações. Após o fim do conflito, a legislação garantiu a devolução desses bens aos seus proprietários. Nesse contexto, a peça em questão fazia parte de um conjunto de bens que se encontrava no Banco Alemão Transatlântico e durante a guerra foi apreendida pelo governo, ficando em depósito no Banco do Brasil por décadas, não sendo resgatada pelos seus donos. Por esse motivo, após a finalização de processo, a peça acabou sendo incorporada ao patrimônio da União e encaminhada para o museu. Alfred Lindinger, casado com Erna Lindinger, era possivelmente austríaco e há referências de sua presença no Brasil em matérias de vários jornais desde 1932. Eles circulavam nas altas rodas da sociedade carioca. Era sócio da Fábrica de Tintas Ghünter Wagner (atual Pelikan), de origem alemã, sediada no Rio de Janeiro. Participava com sua esposa de campeonatos de hipismo, sendo ainda sócio da Sociedade Hípica Brasileira. Teve em 1933 um filho no Brasil, Axel Erwin Alfred Lindinger. A matéria do jornal O Radical (RJ) de 16/04/1942, cita que Lindinger era Capitão de Mar e Guerra da Marinha alemã, sendo acusado de espionagem e participação na Seção WI do Bureau Raven-Immer que articulava com a Gestapo os trabalhos de espionagem e propaganda nazista aqui no Brasil e na América Latina. Há menções que em 1942 ele estaria em Hannover na Alemanha, não mais voltando ao país. Durante a Segunda Guerra Mundial, além de ter seus bens confiscados pelo governo brasileiro, pelo Decreto Nº 13.560, de 1º de outubro de 1943, foi determinada a liquidação da sociedade na Fábrica. Segundo catálogo da fabricante, essa peça faz parte do Serviço de Café e Chá Nº 48900, também conhecido como padrão "tulipa" (em alemão "Tulpenservice"). São itens banhados em prata de primeira qualidade, chamada em alemão de "Alpaccasilber I". Isto significa que o material base é alpaca e foi revestida com (pelo menos) 90g de prata fina. Esse método, consistindo na deposição galvânica de prata sobre material base, foi introduzido pela fábrica Berndorfer Metallwarenfabrik em 1852. A famosa fábrica foi fundada em 1843 por Alexander Von Schoeller e Alfred Krupp na pequena aldeia de Berndorf, situada na região da Baixa Áustria do Império Austro-Húngaro. Inicialmente era chamada de Berndorfer Metallwarenfabrik Alexander Schoeller e Co. Herman Krupp, irmão de Alfred, ingressou na empresa em 1844 e em 1849 assumiu metade das ações. Quando Hermann Krupp morreu (em 1879), seu filho, Arthur Krupp, que já trabalhava na fábrica, herdou seus negócios. Após a morte de Alexander Von Schoeller (em 1886), Arthur Krupp comprou a parte dos herdeiros e em 1890 tornou-se o único proprietário da empresa. A partir de 1891 seu nome aparece na marca da fundição. Arthur Krupp gerenciou os negócios da empresa até sua morte em 1938, que coincidiu com a anexação da Áustria pelos nazistas. Então, a empresa alemã Friedrich Krupp AG, de Essen, assumiu a participação majoritária da Berndorfer Metallwarenfabrik Arthur Krupp AG e manteve-a até o final da Segunda Guerra Mundial. Após a guerra, foi confiscada pelas Forças de Ocupação Aliadas (como uma empresa alemã de armamentos) e administrada pelos soviéticos, vindo a ser posteriormente nacionalizada pela República da Áustria. Passou desde então por várias mudanças e fusões, sendo hoje um parque industrial e comercial que é administrado pela Berndorf AG, ainda possuindo entre outras atividades, a fabricação de talheres. Apesar de trabalhar com produção em massa, pela sua qualidade e durabilidade a marca foi muito usada pela monarquia no Império Austro-Húngaro, sendo fornecedora de produtos para estabelecimentos e residências da Corte, o que impulsionou a sua atuação também internacionalmente. Teve grande utilização ainda em hotéis, restaurantes, áreas militares, companhias de navegação e ferrovias. Durante a 1ª e a 2ª Guerras Mundiais, assim como outras fábricas, teve sua produção convertida em armamentos.
Autores/Fabricantes
Referenciados
Data
00/00/1927 a 00/00/1938
País de origem
Locais Referenciados
Procedência
Procedência - Caminho percorrido pela peça
Museu da República, RJ
Banco do Brasil S.A.
Banco Alemão Transatlântico
LINDINGER, Alfred
LINDINGER, Erna
Aquisição
Restituição de Bens Custodiados
Modo de aquisição
Documento de Aquisição - AQ
AQ.: 17.09.27
Números antigos
Sem número antigo
Guarda atual
Localização
Estado de Conservação
Observações 2
1- Essa peça não tem o interior dourado como as demais do conjunto.
2- Faz parte do conjunto do n° 009.534 ao 009.747
Data Técnica
11 de dezembro de 2018
Digitador
Data da Digitação
29 de abril de 2019
Assuntos (Pessoas Físicas/ Entidades Coletivas)
Assuntos Termos
Possui imagem?
Não
